segunda-feira, 19 de julho de 2010

CASA ESPERANÇA - A Realização de Um Sonho

Com quantos sonhos se faz a história de uma cidade ?

Atravessar mares e continentes em busca do Eldorado faz parte da alma humana.
Em São Lourenço temos muitas histórias emocionantes dessa busca incansável das almas peregrinas que deixam sua terra natal e vem criar raízes tão longe de casa.


Quando um turista ou morador desavisado passa em frente à tradicional e clássica Casa Esperança, nem imagina a história que existe em cada tijolo, por trás da fachada bem arrumada.

Farid Lage nasceu no Líbano quando um novo século também nascia, e em 1926 veio com a família para o Brasil: a esposa Genoveva e as filhas pequeninas Maria e Sood. São Lourenço era seu destino.
Em 1927, quando ainda não fora criada a Prefeitura da cidade, comprou o "fundo comercial" da então já existente Casa Esperança, por 17 contos de réis a serem pagos em 17 parcelas mensais.


A loja tinha 3 portas de madeira e uma velha casa nos fundos, modestamente mobiliada, onde os banhos eram feitos em uma grande bacia de alumínio e o fogão era de lenha.
O aluguel mensal era de 130 mil réis.

A vida era simples, mas a mesa era farta e havia alegria.

Inicialmente, o objetivo do negócio era a venda de lembranças para veranistas, tais como: copos graduados para beber água mineral, artefatos de madeira, sombrinhas, guarda-chuvas, brinquedos, doces, queijos, cartões postais. Vendia ainda, panelas de pedra, bengalas, tênis Superba da Alpargatas, artigos de papelaria e tecido popular conhecido como "riscado", brim cáqui da marca Caçador e a famosa marca Morim Ave-Maria. Alugava roupas para montaria, muito usadas na época para passeios a cavalo (1927 a 1945)


(Antonio Farid Lage, nasceu em São Lourenço, no ano de 1929 e é o historiador da família.
Ele e seu irmão Michel são os filhos sãolourencianos de Farid e Genoveva.
De seu livro A HISTÓRIA DA FAMÍLIA LAGE é que estou retirando as informações aqui colocadas.)

Nos tempos idos, as famílias trabalhavam unidas, pai, mãe e filhos lutando por uma vida melhor para todos. Assim foi com a Casa Esperança. Nos primeiros 35 anos de atividade comercial, não teve empregados.
Em 1945, Farid comprou a propriedade onde sempre residiu e trabalhou - a sua Casa Esperança, passando a vender tecidos finos, armarinho, calçados femininos e masculinos, tênis, confecções, artigos de cama, mesa, banho e perfumaria.


(Michel e Antonio, os irmãos Lage, na nova casa)

Em 1953 demoliu a velha loja e construiu o atual prédio da loja e também sua residência, no sobrado.
Quando demoliu a velha Casa Esperança, quis que os tijolos antigos fossem aproveitados, em parte, na nova construção. Ajudou a limpar os velhos tijolos, virar a massa e sacudir a poeira do passado, contribuindo para a edificação de um futuro promissor, acompanhado de uma nova esperança.
Os velhos tijolos estão ali até hoje, escondidos na nova Esperança, onde permanecerão para sempre a testemunhar e manter de pé as lembranças do suor e o esforço ali depositados !
Em 1954 foi inaugurada a nova Casa Esperança, com amplas e modernas instalações.

Farid não voltou ao Líbano, para rever sua terra natal. Adotou o Brasil como sua nova pátria e São Lourenço como seu segundo lar.
Teve a felicidade de realizar um de seus maiores sonhos: ver seus filhos continuando seu trabalho, como seus sucessores, na Casa Esperança.


Faleceu em 1974 com 74 anos de idade.
Logo após seu falecimento, Michel assumiu definitivamente a direção dos negócios, e com sua esposa, Maria Cecília, veio reforçar o quadro social da firma.

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Lendo os relatos emocionados dos filhos dos pioneiros da cidade, sinto a força propulsora que faz a humanidade caminhar sempre para a frente, buscando seu lugar ao sol.
Caminhando para o futuro, porém não esquecendo o passado e as lições de lá trazidas.

São muitos os sonhos que fazem a história de uma cidade...

2 comentários:

  1. Muito lindo, querida amiga Flora. Emocionei-me muito, o que anda ocorrendo cada vez com mais intensidade à medida que o tempo passa. Até porque, sempre tive carinho especial pelo saudoso Farid Lage e sua família.

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  2. Mas eu tambem, Filipe, que não convivo com a família, fico emocionada ao conhecer as histórias antigas.

    Fiquei muito feliz com seu comentário !
    Beijo

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