O primeiro hotel que minha família frequentou foi o Silva, hoje Paraíso, e para alegria dos preservacionistas, ele continua com a mesma aparência, salvo as alterações normais, impostas pelos modismos humanos. Antonio da Costa e Silva, nasceu em 1885 em Portugal, e aos 15 anos fugiu para o Brasil, em busca do Eldorado existente do outro lado do oceano. Lutou, trabalhou e prosperou no Rio de Janeiro. Casou, teve 3 filhos, mas a esposa faleceu muito cedo, deixando-o com os filhos bem pequenos para cuidar. Talvez por essa tristeza toda, Antonio ficou muito doente. O médico aconselhou-o a fazer uso das águas minerais e ele resolveu passar algum tempo em São Lourenço, deixando os filhos aos cuidados de uma irmã.

Hospedou-se no Hotel São Lourenço e, em pouco tempo, Antonio recuperou a saúde.
Izar , filha dos proprietários tocou seu coração e, algum tempo depois, em 1919, casaram-se. Em 1922 construíram o Hotel Silva, um dos primeiros da cidade. Em 1945 Antonio faleceu, tendo conseguido realizar seu ideal de conhecer novas terras e nelas deixar a marca do seu trabalho.
Na foto, Izar e Antonio, certamente na varanda do Hotel Silva.

No Acervo da Casa da Cultura encontrei essa preciosidade : a propaganda do Hotel Silva, recentemente construído !

Muitos hóspedes, e o charmoso carro antigo, na calçada da rua de chão.

Carnaval no Hotel Silva. Foliões fantasiados e muita serpentina enfeitando a grade no teto da varanda.

O sempre-lembrado Hotel Silva, atualmente é o Hotel Paraíso, e possui agradável área de lazer com piscina e jardins.

A varanda, com o atual piso de ardósia, mantém as mesmas grades no teto. Comparem com a foto do carnaval.

Para quem admira História, como eu, o Hotel Paraíso é um refrigério e um alento. É poder, ainda, conhecer pessoalmente um pedaço da história inicial de São Lourenço. Visitar o hotel que foi construído por Antonio e Izar, em 1922, é voltar à década de 1920 e imaginar como seria viver em tempos tão antigos. Com um pouquinho de imaginação dá até para ouvir, por exemplo, Teu cabelo Não Nega (Castro Barbosa), Com Que Roupa (Noel Rosa), ou Tahi (Carmen Miranda), sucessos do Carnaval de 1930...
"Rendemos nossas homenagens aos atuais proprietários que nada mudaram na arquitetura antiga. Sensibilidade que merece aplauso !" (Teresinha Villela)
(As informações sobre o Hotel Paraíso foram retiradas do livro Nossa gente, nosso orgulho, de Teresinha Villela, e as fotos antigas podem ser admiradas no Acervo da Casa da Cultura)