Sempre que passo em frente ao Grande Hotel Ouro Verde viajo para os anos 50 e lembro dos dias maravilhosos que vivíamos aqui em São Lourenço naqueles saudosos tempos idos... Conheci o proprietário Salvador Rivera e brinquei com sua filha, menina da minha idade. Mais tarde o hotel foi adquirido por Heitor Negreiros, que sempre gentil, fazia a visita tradicional, de mesa em mesa para saber se os hóspedes estavam bem servidos.
Minhas lembranças levam-me para 1953, quando chegamos na Rodoviária improvisada, onde era o antigo Cassino, ali no atual Calçadão da Rua Wenceslau Braz, bem na esquina da Comendador Costa. O GRANDE HOTEL não era pintado de verde e nem tampouco tinha o revestimento em pedra e as jardineiras sob as janelas dos quartos. Sempre ficávamos nos quartos da frente, para pegar o calor do sol da tarde que os mantinham aquecidos.

Refeições inclusas e deliciosas, proporcionavam momentos inesquecíveis de prazer. Como esquecer a maravilhosa maionese de batata, as bolinhas de manteiga de sabor nunca mais provado, a sobremesa Pif Paf de banana e creme com suspiro por cima ?

Assim era o Salão de Refeições naqueles tempos. O lindo móvel-bufet, o serviço à la carte com garçons atenciosos como o sr. José espanhol, e a suave música de fundo onde relembro Agostinho dos Santos cantando Flamingo.

Na gostosa varanda os hóspedes conversavam em convívio alegre e harmônico. Lembro de um baile animado que presenciei ali, olhando os adultos dançarem ao som dos sucessos da época.
Em tempos sem televisão, os relacionamentos eram mais próximos, e muitas vezes tínhamos shows com artistas locais em apresentações de mágica e música, como o sr. que tocava acordeon e eu o adorava ouvir cantando "Peguei Um Ita no Norte" e "Meu Limão, Meu Limoeiro".
Visitando recentemente o Grande Hotel, constatei feliz que os tacos ainda estão no piso dos quartos, e os cobertores continuam com suas dobras caprichadas sobre a cama.
Tudo muda, a moda gira, e os hotéis fazem reformas para melhor servir, e vencer a concorrência.
Mas como é bom visitar lugares onde estivemos em outras temporadas e poder encontrar recantos preservados, mantendo a nossa história tão viva...