sexta-feira, 19 de junho de 2009

O DOUTOR DAS ÁGUAS

Eurípedes da Costa Prazeres, o "Dr. Prazeres", nasceu em 1895 na cidade de Caetés - MG. Veio para São Lourenço enviado pelo Governo como fiscal junto à Empresa de Águas, e aqui plantou raízes. Foi o primeiro médico no Brasil, em 1930, a introduzir entre nós a aplicação dos banhos carbo-gasosos.
Considerado um dos melhores crenólogos do Brasil, foi o pioneiro no processo do tratamento antialérgido e cicatrizante das úlceras gastroduodenais pela injeção intramuscular de água mineral e no tratamento da hipertensão arterial pelos banhos carbogasosos.

Na foto colorida à mão, Dr. Prazeres sorridente.

Médico dedicado, saía para visitar seus pacientes a cavalo, e era um nome conhecido e respeitado no campo da medicina.
Tornou conhecidas as propriedades das águas minerais, através de publicações de teses revolucionárias que alargaram os estudos da medicina nesse campo.

Em 1932, juntamente com outros dezesseis legalistas, resistiu à invasão paulista, no túnel de Passa Quatro, e em São Lourenço, no grupo Escolar Melo Viana, instalou o "Hospital de Campanha", como médico chefe.
Em 1947 o Dr. Prazeres foi o primeiro Prefeito de São Lourenço, eleito pelo povo através do voto.

Na foto a família reunida, ao lado da residência, onde é hoje a Lotérica Colosso:
Em pé = Sylvio, Paulo, Marcelo, Manoel, Câncio, Eurípedes.
Sentados = Dilma, D. Maria, Dr. Prazeres, Maria Eugênia e Giselda.

Muitas histórias teria para contar sobre o Dr. Prazeres, mas preferi mostrar sua importância na divulgação do tratamento com as nossas águas minerais.
Quem sabe não aparecem outros "Doutores das Águas" para, com o mesmo idealismo do Dr. Prazeres, fortalecerem essa forma sábia de tratamento da saúde ?

(Informações extraídas dos livros "Nossa gente, nosso orgulho", de Teresinha Villela, e "São Lourenço a feliz cidade", de Tereza Vallejo)

Agradecimentos sinceros à Jovana Prazeres, neta do Dr. Eurípedes Prazeres, que gentilmente me enviou as preciosas fotos.
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Giselda Vaz da Costa Prazeres, filha do Dr. Prazeres diz o seguinte:

Quando estive na Academia Mineira de Medicina, cuja a sede fica em Belo Horizonte, para convidar os Dr. Gliberto Madeira Peixoto, presidente da Academia e Dr Christobaldo Motta de Almeida, secretário geral da Academia, para a homenagem - reconhecimento que a Nestlé Waters do Brasil fez ao Dr Euripedes da Costa Prazeres, ouvi dos acadêmicos o seguinte: "O Dr Euripedes da Costa Prazeres, possui uma das mais bonitas biografias da Academia e, sendo patrono da cadeira n° 74, está perpetuado como um dos cem melhores médicos de Minas Gerais".

domingo, 14 de junho de 2009

MOSTRA DE ARTESÃOS DO SUL DAS GERAIS

Mais uma vez aconteceu a Mostra de Artesãos do Sul das Gerais, em São Lourenço, durante o feriado de Corpus Christi. Muita arte e criatividade enfeitaram a Vila da Memória Brasileira, charmoso conjunto de lojas que relembram nossas cidades de outrora. A Mostra 2009 trouxe um pouco do artesanato das cidades mineiras - e de uma cidade do Espírito Santo - além do artesanato local, encantando turistas e moradores.

Mandala confeccionada em papel machê com argila, obra da artesã Marlene, de Campo Belo. Detalhes em couro completam o bonito trabalho.


"Santa Urbana" é a marca da Patrícia, artesã de São Lourenço que prima pelo bom gosto e capricho. Na foto suas caixas forradas de tecido.

Muzambinho esteve presente com seu bonito trabalho em tear.

Galinhas de tecido na janela, e capins coloridos : é o jeitinho gostoso de Aiuruoca.

Requinte e beleza na "Arte Sacra" da Zanya, da cidade de Cristina.

Renato Coelho, de Carmo do Rio Claro, mostrou sua arte em argila.

Flores, muitas flores, mas feitas de escamas de peixe ! É esse o delicadíssimo trabalho da Cristina, artesã de Anchieta, no Espírito Santo. Muito lindo !

De Campo Belo veio o "Art e Mosaico" com seu inspirado mosaico de vidro pintado a mão.

"Fibras do Jequi" é a marca do artesanato da cidade de Almenara, lá do Vale do Jequitinhonha.

Ouro preto e seu maravilhoso artesanato em ferro.

Interessante artesanato do Centro de Atendimento ao Adolescente de Pouso Alto : galinhas recobertas com penas de galinhas !

Mais uma Mostra terminou e já deixa saudade dos momentos alegres, do convívio amistoso com artesãos de tantas cidades diferentes, cada qual com sua bagagem cultural.
São tantos produtos diferentes, tanta informação visual, que deixamos a Mostra com os olhos cheios de beleza e o coração carregado de emoção.

sábado, 30 de maio de 2009

AS 7 FACES DE SÃO LOURENÇO

São Lourenço das mil faces... De tanto que falo e mostro as maravilhas de São Lourenço, resolvi fazer esta postagem nua e crua, para desmitificar a cidade dos meus amores. Nem tudo são rosas por aqui. Para meu exigente gosto pessoal, muita coisa não é do meu agrado. Jovem cidade adolescente, leviana e inconsequente, põe abaixo sua história e deixa-se levar por modismos passageiros. Mistura "alhos com bugalhos", usa cestas de palha e internet, constroe "arranha-céus" e anda à cavalo. Carros de som barulhentos azucrinam os ouvidos dos mais sensíveis, e o cantar dos pássaros emociona as almas sonhadoras. Assim é São Lourenço: atrai e repulsa, faz morrer de paixão, e decepciona os espíritos aventureiros. Vamos conhecê-la um pouco melhor ?NATUREZA:

Do alto do Bairro Monte Verde podemos apreciar essa beleza natural. Dizem que São Lourenço é cercada por 7 colinas, assim como Roma. Verdade ou não, o certo é que estamos cercados por suaves ondulações verdes que tranquilizam o olhar e abrandam as emoções.


SAÚDE E BEM ESTAR :

Também são 7 as águas curativas encontradas em São Lourenço. Distribuídas em 9 fontes, nos Parques I e II, podem ser utilizadas como recurso terapêutico no tratamento de doenças renais ou outras patologias, sempre conforme orientação médica.
São Lourenço nasceu das águas, e criou fama pelos excelentes resultados obtidos por quem buscava cura ou alívio para seus males.
Na foto, a famosíssima Fonte Vichy, cartão-postal de São Lourenço, e ao fundo o Balneário, onde são encontradas saunas, duchas, massagens, estética facial e corporal, e banhos carbogasosos.

RURAL :

São Lourenço não possui grande área rural, pois seu território é um dos menores do Brasil - aproximadamente 57 KM quadrados.
Ainda assim sendo, convivemos com o campo e suas delícias, e pequenos produtores rurais continuam vivendo de suas terras. Nos pequenos sítios existentes na cidade, a flora e a fauna nativas coexistem pacificamente com o Homem e seus agregados.
Na foto, o Sitio Flori, lugar simples e encantador, onde o céu e a terra se encontram e a paisagem é muito bela.

ESOTÉRICO :

Para a Sociedade Brasileira de Eubiose, São Lourenço é a cidade central - e a Capital Espiritual do Mundo - cercada por outras 7 cidades místicas que emanam energias diferentes conforme sua tônica e vibração.
Muitas histórias são contadas sobre lugares mágicos, portais e passagens para mundos intra-terrenos. Dizem que os OVNIs passeiam por aqui com regularidade, e que os ETs caminham entre nós...
Na foto, o belo Templo, em estilo grego, da EUBIOSE, localizado na Praça da Vitória, de onde se tem uma bonita vista de SãoLourenço.

TURISMO :

Consequencia do uso das Águas Curativas, o Turismo é a base da economia sãolourenciana.
Existem na cidade aproximadamente 60 meios de hospedagem, entre Hotéis, Pousadas, Apart-Hotéis e Hotéis-Fazenda.
Agradando a "gregos e troianos", São Lourenço proporciona lazer e descanso para todas as idades. Fazer um passeio à cavalo, ou assistir ao show do artista do momento, são opções encontradas nessa cidade versátil.
Na foto, o tradicional Hotel Brasil, um dos cartões-postais da cidade, e onde ficou hospedado por várias temporadas, o presidente Getúlio Vargas, entre as décadas de 30 e 50.

CIDADE - POLO:

É com orgulho que os moradores e governantes dizem ser São Lourenço a Cidade-Polo da região, onde os vizinhos vem buscar o que não encontram em seus pequenos municípios.
Faca-de-dois-gumes, pode ser bom, pode ser ruím... Deixando gostos pessoais de lado, em São Lourenço encontramos de tudo um pouco, e para todos os gostos. Lojas, muitas lojas, cada vez mais lojas...
Galerias bonitas, restaurantes diversos. Hospital, clínicas e um sem-número de serviços podem ser encontrados na cidade-polo.
São Lourenço é isso...
Na foto, o Shopping João Lage e sua bonita decoração de Natal.

URBANA :

"Como São Lourenço cresceu", dizem os visitantes que passaram alguns anos sem por aqui chegar. E eu retruco : -"Cresceu demais para o meu gosto"...
Cheguei em 1991 e, de lá para cá, muita coisa mudou. Prédios, muitos prédios foram construídos - e eu estava fugindo deles, e da minha grande Rio de Janeiro...
"O trânsito está infernal", comentamos com amigos cariocas que riram da nossa expressão. Claro, para quem vem de um grande centro, chega a ser ridículo tal comentário. Mas para o povo da terra, o trânsito está cada vez mais atrapalhado, com os "milhões" de carros que existem por aqui e cada vez em maior número.
Coisas do Progresso...
Na foto, o emaranhado de construções, carros e fios, "que empanam o brilho das colinas", como diz o Cacique Seatle na sua famosa carta.

Ame-a ou deixe-a, pois ela é assim.
Misto de brega e chique, urbana e rural, quente e fria...
(...pensei que fizesse muito frio aqui.../ imaginei encontrar uma pacata cidade do interior.../como deixaram construir tantos prédios altos...)

Para "sentir" São Lourenço, só mesmo vivenciando seus dias ensolarados, suas noites estreladas. Saindo das ruas centrais e buscando a hospitalidade mineira nas casas simples dos bairros ou na alma do povo local.
Para mim, existem 2, 3 ou mais São Lourenços. Que cada um busque a sua, conforme o gosto ou o momento, e aproveite o máximo que puder dessa cidade de 7 faces.

domingo, 24 de maio de 2009

BRINCAR SIMPLESMENTE

São Lourenço em 1951 era, para mim, o próprio Paraíso Terrestre. Passear pelo Parque das Águas era a felicidade máxima que eu já tinha vivido na minha curta existência de 6 anos.

Nas proximidades da Fonte Sulfurosa existia o que hoje chamamos "americanamente " de Play Ground. Os brinquedos eram de madeira e ferro, fortes e simples.
Por incrível que pareça, lembro bem desse dia em que eu e meus irmãos andamos de gangorra.
Eu fiquei de um lado, e um deles sentou do outro, mas por ser bem maior que ele, logo joguei-o para o alto. A solução foi pôr os dois de um lado, mas assim fui eu a ser jogada para o alto. Rimos muito, e papai aproveitou para fotografar, pois gangorrar era impossível.

O Cavalo de Pau serviu para a foto, e a Roda também. Não sei se gostava deles, pois meu brinquedo preferido sempre foi o Balanço. Lá atrás do Cavalo de Pau estavam os balanços, mas eram barcos de madeira, enormes (para meus 6 anos) e que "voavam" em grandes alturas.
Neles não tinha coragem de andar...

Outra distração famosa era levar pão para os patos e os peixes. Sempre trazíamos um pouco de pão do hotel para alimentar a fauna aquática. Nessa foto, dá para perceber que eu não estava gostando muito da proximidade dos patos (ou gansos ?), pois enquanto minha irmã ria, e meu irmão olhava tranquilamente, eu encarava o bichinho preocupada com um possível ataque.
PS: o escrito acima pertence a outra foto.

Visitar a Fazenda Ramon era outro programa imperdível para quem estava em São Lourenço.
Também lembro do dia que pegamos o "charretão", única charrete grande, com muitos lugares, para fazermos o passeio famoso. Inesquecível o doce-de-leite fabricado lá, servido em copinhos de papel encerado e pazinha de madeira.

Como eramos felizes com tão pouco...
Hoje, na ânsia do ser humano por lazer e prazer, nada satisfaz e o Parque precisa ter "mil" brinquedos e equipamentos diversos, além é claro dos recreadores, pois ninguém tem mais imaginação para criar sua própria brincadeira.

Doces lembranças dos tempos idos...

terça-feira, 19 de maio de 2009

PAVILHÃO CENTRAL - Tantas histórias...

São Lourenço nasceu das águas, e das águas se criou, e em 1890 foi fundada a COMPANHIA DAS ÁGUAS MINERAIS DE SÃO LOURENÇO. Em 1905, Afonso Noronha França inicia uma vasta propaganda das águas, e concede estada gratuita aos viajantes, de dois ou tres dias, no Hotel Veneza, (hoje Pavilhão Central) dentro do Parque das Águas.

Nessa foto de 1918, o Pavilhão atual continua lá, e a anotação diz : "Fonte Magnesiana - Capella de S. Lourenço - Pensão Filial- S. Lourenço." Seria o nome Filial ou a informação "filial" ?
Reparem no alagado do solo. Seria já o início do laguinho que existe atualmente ?


Na propaganda sem data, lá está nosso velho conhecido Pavilhão Central, ao lado de um outro prédio maior. Agora, ostentando o nome de Parque Hotel.
"Banheiras de immersão, chuveiros e agua corrente nos quartos. Tratamento de primeira ordem. Reservam-se aposentos por carta ou telegramma."
Ainda não existiam telefones...

Atualmente o Pavilhão Central está assim, com seu charmoso telhado da varanda repleto de plantas, e o mesmo ar nostálgico de tempos idos.
"Um milhão" de objetos podem ser encontrados no Pavilhão Central. Peças bonitas, interessantes, úteis, mas o que me encanta é o piso de pastilhas em flor, os móveis de madeira escura, trabalhada, e as lembranças que me invadem quando lá penetro.
Lá no fundo da foto, onde está aquele balcão, funcionava um café, e recordo até hoje o cheiro delicioso do café quente, nos idos dos anos 50.

A propaganda da Kodak, bem anos 50, continua na parede, e a porta de enrolar é de madeira !
Gosto muito de visitar o Pavilhão Central, de preferência sozinha, olhando cada detalhe, silenciosamente descobrindo coisas antigas, e sentindo-me novamente a menina de 6 anos que enamorou-se perdidamente da mágica cidade das Águas de São Lourenço.

terça-feira, 12 de maio de 2009

...PORQUE BELEZA É FUNDAMENTAL.

PAIVA FRADE - Galeria de Arte, é um espaço onde o bom gosto e o refinamento predominam. "Aqui o clássico é reinterpretado - segundo as tendências do momento - num personalizado antiquário, tradicional, erudito, sutil, moderno e contemporâneo."

Localizado no centro de São Lourenço, o Paiva Frade Arte e Leilões, é um grande espaço onde a beleza e a arte são as peças principais.
Beleza eterna no precioso lustre de cristal.
O corredor que leva ao salão de leilões, fica ao lado do jardim interno e é decorado por plantas suspensas.
Imponente jarrão - estilo e exuberância.
O delicioso jardim interno acrescenta charme e frescor ao ambiente.

Peças clássicas para todos os gostos.
Espelho e pratos. Igualmente belos.

Depois de passar agradáveis momentos observando a Galeria de Arte, certamente o seu dia ficará mais suave e feliz.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

PEREGINAÇÃO À NHÁ CHICA

Francisca de Paula de Jesus, chamada de Nhá Chica, nasceu em São João Del Rey, em 26-4-1810, e ainda menina mudou para Baependi, em Minas Gerais.

Dedicou sua vida à fé e a caridade, e usava seus dons de oração, sabedoria e profecia para ajudar o próximo, passando a ser aclamada pelo povo como "A Santa de Baependi".




Sua crença a fez erguer uma capela em devoção à N. Sª da Conceição, em 1865. Nhá Chica faleceu em 14/6/1895.
A antiga capela deu lugar ao atual Santuário, onde Nhá Chica foi enterrada, conforme seu desejo. Em 1991 recebeu do Vaticano o título de Serva de Deus.

Em 1999 foi criada a Peregrinação, de São Lourenço à Igreja de Nhá Chica, em Baependi, um roteiro que já faz parte do "Caminho da Fé na Estrada Real", e do "Roteiro da Fé Católica" (da Embratur) . No dia 1º de maio, aproveitando o feriado nacional, a Peregrinação é realizada com acompanhamento de ambulância da Unimed e carros de apoio, que ficam à postos para qualquer auxílio. Este ano o cálculo é que participem da Peregrinação em torno de 2000 peregrinos.

Em São Lourenço, o artista plástico Marco Aurélio construiu uma interessante capela, em agradecimento a graça recebida de Nhá Chica, e a partir desse ponto começa o roteiro rural.
Percorre-se 33 km, por vias rurais, apreciando belíssimas paisagens. Existem, ao longo do caminho, 26 marcos de sinalização da Estrada Real, e 4 municípios fazem parte do trajeto: São Lourenço, Soledade de Minas, Caxambu e Baependi.
Os peregrinos começam a caminhar ao raiar do dia, e terminam assistindo a Missa do Peregrino no Santuário de N. S. da Conceição, em Baependi, às 14 h.


João Vitor Gorgulho, um dos idealizadores da Peregrinação, quando chegava na Rodoviária de Caxambu (em 2008), um dos pontos de passagem da caminhada.