quinta-feira, 29 de maio de 2008

POUSO DO LOURENÇO

LOURENÇO - latim. Laurentius: o adornado com louro, como vitória, triunfo, pois das folhas do loureiro se teciam coroas para premiar os vencedores de jogos e torneios poéticos.
(Dicionário Etimológico de Nomes e Sobrenomes - Prof. Rosário Farâni Mansur Guérios)



Foram os índios, certamente, os primeiros a explorar os mananciais dessas terras, conhecedores como eram das nossas riquezas naturais no campo da medicina.

Esta região banhada pelo rio Verde, era denominada Minas Gerais dos Cataguás, por ter sido habitada pelos índios Cataguás ou Cataguases, que como donos da terra impediam vigorosamente a penetração do homem branco.

Esses índios, conhecidos como "os temíveis cataguases", foram dizimados pelo bandeirante Lourenço Castanho Taques (ou Tazques), que por aqui chegou por volta de 1675. Parece que eles não eram tão temíveis assim...

Daí nasceu o primeiro nome da atual São Lourenço: POUSO DO LOURENÇO


Em 1889 o Comendador Bernardo Saturnino da Veiga adquire as terras onde jorravam águas curativas e milagrosas, e já em 1890 é oficializada a concessão para a exploração das águas minerais.

Nascia a "Companhia das Águas Minerais de São Lourenço".
O nome da Companhia prende-se a uma homenagem à memória do Tenente-Coronel Lourenço Xavier da Veiga, pai do Comendador.

Em 10 de agosto de 1895, dia de São Lourenço, é inaugurada a Ermida Bom Jesus do Monte, sob a proteção do Mártir Lourenço.

(Adaptado do livro "São Lourenço a feliz cidade" (Tereza de Jesus Vallejo Oliveira)






segunda-feira, 26 de maio de 2008

MAIO EM SÃO LOURENÇO

Maio é a entrada do inverno em São Lourenço, quando o frio vai chegando devagarinho e os dias são azuis e brilhantes.

Nas manhãs geladas a neblina encobre a cidade, e os turistas esperam o sol surgir para sairem a passear.

As imponentes paineiras da Estação estão carregadas de frutos, que em breve se abrirão deixando a paina branquinha cobrir o chão de terra.

O bic0-de-papagaio (Euphorbia pulcherrima) mostra suas falsas e enormes flores vermelhas que são uma atração para as borboletas, como a tambem vermelha da foto.

O lindo urucum está carregado de frutos que mais parecem morangos em cachos rosados.

Tempo de festas e movimento, quando a cidade fica repleta de visitantes que vem aproveitar o feriado prolongado e usufruir da beleza e paz do Parque das Águas.












quinta-feira, 8 de maio de 2008

SEGREDOS SAGRADOS - Cidades

"Em épocas remotas, uma cidade não era criada a partir de uma aldeia que estivesse progredindo, ou por se pensar com sensatez em obter somente comodidade para os homens. Como local de habitação para os homens, era necessaário haver a concretização de uma harmonia cósmica no âmbito material".


"Afinal, a missão do homem criativo era servir de intermediário entre o Céu e a Terra. Uma cidade era considerada o ponto em que o Céu e a Terra se tocavam, o lugar em que se celebrava o seu casamento divino em proveito de seus habitantes".



"Partia-se de um lugar comprovadamente
benéfico para homens, animais e plantas, onde existisse uma fonte que tivesse água de valor terapêutico. Nesse lugar erguia-se uma pedra comprida, em posição vertical: um menir. A fonte representava o elemento feminino, a pedra equivalia ao masculino: Céu e Terra".

"Sobre esse ponto traçava-se uma linha de norte a sul que servia como rua principal e que dividia a cidade ao meio. O portão principal da cidade ficava ao norte".

"Os muros da cidade tinham de ser circulares, em volta desse ponto central. Simbolizavam o zodíaco no céu".

"Nas proximidades do poço de águas claras, ricas em sais minerais, venerava-se e agradecia-se à ninfa que morava na fonte".

"Quandos os homens deixaram de vê-la, passando simplesmente a sentir sua presença, trataram de erigir-lhe uma estátua de madeira ou de pedra e colocá-la perto da fonte".



"Nos séculos seguintes, deram a essa estátua o nome de Maria, como era oficialmente chamada a Grande Mãe, e para que os romeiros pudessem rezar, foram erguidas capelas nesses lugares sagrados".

"A ninfa deve ter recebido o agradecimento em nome de Maria, pois nomes são meros detalhes quando uma pessoa se dirige à própria divindade cuja presença sentiu."

"Os romanos e outros povos antigos davam tres nomes a cada cidade: um nome místico, um sagrado e um político. Punia-se com severas penas quem pronunciasse o nome místico da cidade".



"O homem via a cidade, que era cercada por muros redondos, como algo feminino. A deusa da Terra era venerada por meio de rituais realizados na cripta. Ela era vista como uma mulher, que usava a cidade como coroa."


















"Diz-se que em todo lugar em que existe uma igreja, existia anteriormente um templo dedicado à Maria, a Grande Mãe, a Mãe Terra, muitas vezes com água curativa, onde a ligação com o Céu é possível".

"Quando a construção de uma cidade é iniciada, cada pessoa que ali quiser morar tem de trazer um saquinho com terra da região onde morava anteriormente, e terá de jogá-la na escavação . É assim que se mantém a união da cidade com o país à sua folta. A cidade se torna o coração desse corpo que é o país".


"É assim que devem ser as cidades. Mesmo que sejam arrasadas por catástrofes naturais ou pela violência da guerra, que as transforma em solo árido, ainda restam os seus modelos cósmicos no éter, com tudo o que lhes aconteceu.
Não chore a forma que se foi: resta a essência".

Extraído do livro "MÃE TERRA " de Mellie Uyldert

São Lourenço possui essa água curativa, e conta a lenda que onde foi erigida a Ermida Bom Jesus do Monte, os índios, primeiros habitantes dessas
terras, já ali mantinham seu lugar sagrado.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

ABRIL EM SÃO LOURENÇO

Foi preciso esperar quase o mês todo para ver o Abril verdadeiro de SL, pois nestes tempos de mudanças constantes, choveu em abril em quantidade totalmente fora dos padrões. Dias nublados e chuvosos não fazem parte da rotina desse mês.

Abril é a entrada não oficial do Outono, com seus dias frescos, céu muito azul e noites estreladas.

Agora já se sente o clima outonal, e muitas manhãs chegam envolvidas em brumas, escondendo casas e paisagem.



O urucum do meu jardim está mostrando suas lindas flores rosadas, e os frutos tambem estão surgindo.
As árvores e trepadeiras nativas, cheias de frutinhos, atraem os pássaros que passam o dia num vai-e-vem buliçoso em busca de alimento.

É encantador poder observá-los da minha janela, pois nossa presença já não os assusta mais, acostumados que estão com essa observação silenciosa.

A surpresa do mês ficou por conta de um grupo de macaquinhos passeando pelo nosso jardim-bosque, em alegre algazarra.

Mês dos índios (como se eles tivessem vez de verdade...), e aproveito para deixar aqui as sábias palavras de um chefe indígena (e estranhas para o homem branco):

"-Tu exiges que eu lavre a Terra. Devo tomar uma faca e dilacerar o seio de minha Mãe ? Quando eu morrer, ela não deixará que repouse em seu seio...

-Tu exiges que eu escave à procura de pedras. Devo cavar sob sua pele em busca de seus ossos ? Quando morrer, eu não poderei voltar ao seu corpo para nascer novamente.

-Tu exiges que eu corte o capim para fazer feno e vendê-lo, a fim de enriquecer como os homens brancos. Mas como posso ter a coragem de cortar os cabelos de minha Mãe ?

LONGE DA NATUREZA O CORAÇÃO DO HOMEM SE ENDURECE.

A falta de atenção para o que cresce e vive tambem leva logo à falta de atenção para com as pessoas."








sexta-feira, 25 de abril de 2008

CAFUNDÓ - Bairro Verde

"Eu moro lá naquele cafundó, muito, muito longe daqui"...
Devia ser assim que as pessoas falavam daquele bairro tão afastado do centro, cercado de verde e margeando a linha do trem.

Pobre de riqueza, rico de natureza, o Cafundó, ou Bairro Nossa Senhora de Lourdes, como é oficialmente conhecido, é uma surpresa para o viajante desavisado.
Casinhas simples e encantadoras, armazéns nostálgicos, onde se encontra de- tudo- um- pouco , ar puro e fresco e uma paisagem deliciosamente verde, fazem desse lugarejo afastado um passeio muito interessante.
A Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, construção simples e branca no alto de uma colina, possui um imponente muro de pedras contornando a calçada estreita. No Cafundó as calçadas são realmente estreitas , e o normal é se andar pela rua mesmo.
Pequenos sítios, nascentes de água e estradinhas de terra, completam o quadro rural.
"Por linha", como dizem os moradores locais, pode-se chegar mais rápido ao centro da cidade, andando à pé ou de bicicleta, ao longo da via férrea, e aproveitando para observar a verdejante natureza, onde as árvores nativas marcam o tom das estações.

É pelo Cafundó que se chega, vindo em caminhada pela Estrada Real, a São Lourenço.
É pelo Cafundó que partem peregrinos, saindo da Capelinha Nhá Chica, para visitar a Igreja de Nhá Chica, em Baependi.
No Cafundó ainda existe a Folia de Reis e a Serenata do Dia das Mães.

...E é no Cafundó que eu moro.












sábado, 12 de abril de 2008

MANTIQUEIRA - A Serra que Chora

Conta a lenda que, em tempos idos, uma formosa índia da tribo Tupy apaixonou-se perdidamente pelo Sol, e passava os dias a banhar-se na sua luz.
O Sol, o Guerreiro do Cocar de Fogo, tambem enamorado da bela índia, passava dias e noites no céu para ficar perto da sua amada, não deixando que a paz da noite serenasse a Terra.
Os pastos se incendiavam, a capoeira secava e ferviam os lamaçais.
A Lua, com ciúme da mulher que roubou-lhe a atenção do Sol, foi queixar-se a Tupã, e este ergueu um enorme paredão para esconder do Sol sua enamorada.
A índia, impedida de ver seu amado, verteu rios de lágrimas, torrentes de água.

A montanha foi chamada de A-man-ti-kir, que quer dizer Serra que Chora, devido à grande quantidade de nascentes que brotam em suas encostas.
As lágrimas da bela índia de que ninguem lembra o nome..
Mas eu, até hoje lembro a primeira vez que por essa serra andei, menina ainda, fascinada com tanto verde, e "comendo" poeira na estrada ainda de terra.
Incontáveis viagens fiz pela Serra que Chora ao longo da minha vida, mas é sempre um deslumbramento respirar seu ar tão puro e olhar sua verde paisagem.






domingo, 30 de março de 2008

O POUSO DAS GARÇAS

Faz tempo que descobri que nós, aqui em São Lourenço, também temos nosso Pouso das Garças, nosso ninhal, bem ali na Ilha dos Amores, no Parque das Águas.

E assim, outro dia, munida de máquina e paciência, fui observar esse processo tão interessante que acontece, religiosamente todos os dias, quando a noite vai se aproximando.

Em torno das 17h, agora em março, elas começam a chegar. E não pude deixar de compará-las a nós, seres humanos, com suas personalidades e hábitos tão diferentes entre si. As mais metódicas e organizadas chegam mais cedo para escolher o melhor lugar.
Algumas vêm em bandos, outras solitárias. Umas exibicionistas, voejam sobre as águas antes de se acomodarem.
Observei também (grudada na tela, do lado de fora do Parque), que normalmente elas vêm de 2 direções : do São Lourenço Velho e do Cafundó. Umas poucas passaram por cima da Prefeitura.

A tarde vai caindo, e a árvore maior ficando lotada, mas, logo ao lado, tem outra menorzinha que também vai sendo ocupada.
Saí do meu posto de observação às 18h15m. A iluminação já não estava muito boa para minha máquina, e elas continuavam chegando. E a árvore ainda não estava totalmente branca, que é como fica, num belíssimo espetáculo de luz e sombra !
Fiquei pensando nas retardatárias, que, certamente aproveitam até o último raio de sol antes de se recolherem para o descanso noturno, mesmo correndo o risco de ficarem mal acomodadas.
Lembrei da cigarra e da formiga, e fiquei imaginando quem estaria mais certa. Quem seria mais feliz...